Mãe é mesmo um bicho esquisito

Mãe é mesmo um bicho esquisito

Ser mãe é a melhor coisa do mundo e também a mais esquisita. Nos transformamos em bichos e muitas vezes somos irracionais. Só quem é mãe entende.

Quando nos tornamos mães, entramos em um mundo novo, repleto de descobertas e aprendizados. Os clichês de que nasce uma nova mulher e de que é um amor incondicional, são realmente verdadeiros, mas dificilmente ouvimos dizer o quanto é esquisito ser mãe e que nos transformamos em uma espécie de bicho.

A mistura de características do mundo animal invade nosso ser e às vezes ficamos tão semelhante a eles que nos desconhecemos.

Viramos leoas para defender nossos filhotes. Passamos a ter mais braços do que o polvo para dar conta de carregar tanta coisa junto com os pequenos. Viramos corujas e no dia seguinte acordamos com olhos de pandas. Somos ciumentas e às vezes queremos rosnar quando alguém chega perto deles. Mãe tem o melhor abraço de urso e gosta de andar em bando. Falar sobre os filhos é nosso melhor passatempo.

Mas, ao contrário dos bichos não somos capazes de lamber a cria e deixá-la ir sem olhar para trás. Descobrimos isso logo quando o bebê nasce e a enfermeira o leva dos nossos braços. Queremos ter pescoço de girafa para alcançá-lo até o berçário e ver o que anda acontecendo por lá.

Embora muita gente fale sobre o que vai acontecer, a experiência é única. Não há fórmula ou manual de instrução para educar, cuidar e saber o que deve ou não ser feito. Filho não vem com bula. Vamos aprendendo aos poucos e às vezes na marra. É instinto. É natural.

Tudo passa a ser mais intenso. O amor, o medo, as dúvidas, as alegrias. Ficamos irracionais quando qualquer perigo se aproxima deles e lidar com esse monte de sentimentos juntos não é tão fácil quanto parece.

É como ter uma parte nossa, separada do corpo, com vida própria. Por isso o sling foi inventado, para termos a impressão de que somos cangurus, pelo menos por um tempo.

Os filhos nascem para o mundo, com vontades, desejos e personalidade. Queremos protegê-los de todo mal, colocá-los em uma “caixinha” e ao mesmo tempo queremos vê-los livres, realizados e felizes. No fundo sabemos que eles podem voar, porque sempre que precisarem poderão voltar para debaixo das nossas asas. Fazemos isso até hoje com as nossas mães. Nem que seja só pra pedir um beijinho de esquimó.

Passamos a compreender as nossas mães porque nos tornamos o mesmo tipo de bicho.  A espécie mais encantadora, forte e ao mesmo tempo frágil.

Seria mais simples se fôssemos bichos de verdade. Se pudéssemos parir, amamentar e dias depois seguir sem eles. Teríamos mais tempo, mas muito menos motivos para ser feliz. Não descobriríamos que ser mãe é o trabalho mais difícil e gratificante do mundo.

Mãe é espécie rara, daquelas que sabe amar sem pedir nada em troca. Para a mulher não basta ser só bicho, tem que ser esquisito mesmo.

 

 

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